Home Cardus Edição 149, setembro 2025

FOTOGRAFIA

Fanny

Fanny Freitas é brasileira do Rio de Janeiro, mas escolheu Portugal para viver. Adora viajar e de longas caminhadas, algumas delas a fotografar aquilo que o seu olhar desperta.

LISBOA


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Esta cidade acolheu-me e acolhe, de braços abertos, todos os que a vêm visitar.

Guarda em si um universo de inspirações — a arte, a poesia, os olhares que nos convidam a retratá-la nos seus mais belos ângulos.

A capital é um tesouro vivo, onde mais de vinte séculos de história se entrelaçam entre ruas antigas e a modernidade que a faz pulsar, encantando quem por aqui passa.

No verão, o calor envolve a cidade e convida a tardes douradas à beira do Tejo. À noite, Lisboa desperta em ritmo de festa: lisboetas e viajantes cruzam-se entre risos, música e copos erguidos, entrando e saindo de bares que guardam melodias ao vivo.

Das suas colinas descem bairros pitorescos, cada um com a sua alma própria. Alguns são berços do fado, onde a saudade se canta em vozes eternas; outros exibem fachadas vestidas de azulejos, como poemas azuis gravados na pedra.

Lisboa transforma-se a cada dia, renovando e evoluindo para acompanhar o crescimento de outras capitais europeias, melhorando e recuperando áreas com novas construções e oferecendo mais qualidade e segurança, mas sem perder a essência. É uma cidade em movimento, que cresce e se reinventa, oferecendo a quem nela vive e a quem a descobre a magia de um lugar onde o passado e o presente se dão as mãos.

Faço aqui a minha homenagem a esta cidade, tão bem retratada no poema de Manuel Alegre.

Balada de Lisboa *

Em cada esquina te vais
Em cada esquina te vejo
Esta é a cidade que tem
Teu nome escrito no cais
A cidade onde desenho
Teu rosto com sol e Tejo

Caravelas te levaram
Caravelas te perderam
Nas manhãs da tua ausência
Tão perto de mim tão longe
Tão fora de seres presente

Esta é a cidade onde estás
Como quem não volta mais
Tão dentro de mim tão que
Nunca ninguém por ninguém
Em cada dia regressas
Em cada dia te vais.

(...)

* Manuel Alegre, in Babilónia, 1983