Dados técnicos:
Emissor: Posta Faroe Islands;
Data de emissão: 24.02.2025;
Design: Thomas Vikre.
Vikar é uma aldeia abandonada na costa norte da ilha Vágar, a mais ocidental das grandes ilhas do Arquipélago das Ilhas Faroé. Não é fácil visitar as ruínas de Vikar, não há estrada para lá, é preciso caminhar cerca de 15 km a partir da vila mais próxima (Gásadalur) por trilhos com grandes subidas e descidas. Mas quem já lá esteve diz que o local é duma beleza extraordinária e que a visita vale o esforço.
A aldeia nasceu quando um casal elegeu o local para viver, estava-se em 1833. Anos mais tarde, mais pessoas chegaram e, em 1855, a população atingiu o pico com 16 habitantes. A partir desse ano a população foi decrescendo e, em 1910, a aldeia foi abandonada pelos seus três últimos resistentes (3ª geração).
Viver em Vikar seria fundamentalmente trabalhar. Pesca, agricultura e criação de ovelhas eram as atividades a que se dedicavam os habitantes da aldeia. Provavelmente desde o nascer ao pôr do sol, dia a dia, mês a mês, ano a ano. Muita beleza natural à volta, mas imagino o frio no inverno, o nevoeiro e o vento permanente fustigando as casas e as culturas. E aquela sensação de estar isolado do mundo, já relevante nas ilhas, mais ainda num lugarejo perdido numa ilha. E parece que foi este isolamento que levou os habitantes a desistirem do lugar.
Não é só nas ilhas Faroé que existem aldeias abandonadas. Existem por todo o mundo, Portugal está cheio delas. Não são coisas que se lamentem ou se critiquem, apenas testemunhos de vidas que tiveram a sua época e o seu tempo, e que, no mundo e na vida, tudo muda e nada é eterno.