Dados técnicos:
Emissão conjunta PORTUGAL - ÍNDIA
Designer: Colmeia Design / Túlio Coelho;
Data de emissão: 07.04.2025;
Sou do tempo da Índia Portuguesa, constituída por uma série de territórios, cuja sequência, na escola, toda a gente era obrigada a saber: Goa, Damão, Diu, Dadrá e Nagar Aveli.
A Índia Portuguesa acabou na noite de 19 de dezembro de 1961, quando Goa foi invadida pela União Indiana e o último governador do Estado Português da Índia, general Vassalo e Silva, assinou a rendição incondicional das suas forças ao comandante indiano, para desgosto de Salazar, que teria preferido que ele e os seus homens tivessem resistido até à morte. As relações diplomáticas entre os dois países, cortadas desde 1951, só foram restabelecidas em 1975, após a Revolução de Abril, há cinquenta anos. Para comemorar este aniversário, os CTT de Portugal e da Índia emitiram, em conjunto, um bloco filatélica que, em Portugal, teve honras de ser apresentado pelos presidentes dos dois países, Marcelo Rebelo de Sousa e Droupadi Murmu, que na data se encontrava de visita oficial a Portugal.
Como é habitual em emissões conjuntas, os motivos dos selos são semelhantes e respeitam um tema que, neste caso, foi “Trajes Tradicionais”. Para Portugal, a seleção caiu sobre o Traje à Vianesa e para a Índia o Traje Kalbelia.
Ambos os trajes são vistosos e coloridos. O Traje à Vianesa é conhecido de todos os portugueses, já não se pode dizer o mesmo do Traje Kalbelia. Uma pequena pesquisa na internet informa-me, no essencial, o que está envolvido neste traje e no seu nome:
Kalbelia refere-se a um grupo étnico nómada do Rajastão, na Índia, conhecido pelas suas danças e músicas tradicionais, que foram reconhecidas como Património Cultural Imaterial da UNESCO. Kalbelia é, assim, também, o nome de uma dessas danças e do traje típico que é usado pelas dançarinas. Terra de serpentes, é neste animal que a música e a dança é inspirada.
Para completar esta informação nada como um pequeno vídeo:
Assim, desta vez, os selos levam-nos aos costumes e tradições das terras desertas do noroeste da Índia. E que, por alguma razão, talvez pelos sons, me recordaram a África da meninice.