Dados técnicos:
Designer: Unidesign / Hélder Soares;
Data de emissão: 09.10.2025;
Carlos Paredes é, enquanto compositor e intérprete genial, uma das maiores figuras da cultura portuguesa deste século que os apressados balanços finisseculares tendem a tornar confuso e por vezes pouco credível em matéria de escolhas absolutas.
Através das sonoridades da sua guitarra portuguesa, Carlos Paredes conseguiu produzir a síntese emotiva e sensível do nosso modo coletivo de estar e de ser. Homem culto e humilde, generoso e tantas vezes insondável, gentil e inspirado, discreto a desconcertante que marcou todos quantos com ele tiveram o privilégio de privar, no palco e na vida.
Por mim, nunca poderei esquecer o entusiasmo dos milhares de pessoas que o aplaudiram de pé, em sucessivos «encores», em Itália, na Alemanha, na Holanda ou na Suécia, logo após o 25 de Abril de 1974, fazendo dele o genial embaixador de uma pátria que acabara de reconquistar a liberdade.
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In pagela dos CTT (José Jorge Letria)
Uma das coisas que mais me ficou da revolução de Abril foi a música. De repente todo o mundo apareceu a cantar, a música rebentou por todos os lados, feita com espontaneidade, livre, sentida, ativa, onde os interesses comerciais não tinham um papel relevante. Eram os tempos da música de intervenção, uma voz e uma viola e não era preciso mais nada.
De entre todos os cantores, que são muitos, sobressai Zeca Afonso. As suas baladas e canções intervinham, mexiam com as pessoas, mas apresentavam, também, uma grande e agradável musicalidade. Ainda hoje, apesar de muitas vezes ouvidas, em momentos próprios, sabe bem ouvi-las mais uma vez.
É, por exemplo o caso do vídeo que se segue onde, parece-me, também está o timbre próprio da guitarra de Carlos Paredes, a cujo centenário de nascimento esta emissão é dedicada. Dois génios que se juntam e que nos transportam cinquenta anos para trás, para os tempos em que, de repente, graças a uma revolução, tudo mudou.