Home Cardus Edição 155, março 2026

CRÓNICA

Cardus







TEMPORAL



Não é fácil vergar um pinheiro-bravo. Cortá-lo sim, uma motosserra potente, um corte pela base, e aí está ele caído no chão.  Direito estava, direito caiu, vivo estava, morto ficou.

Agora vergá-lo, dobrá-lo de tal forma que ele quebre, não é tarefa fácil, não é tarefa realizável por humanos, só mesmo uma força brutal, indomável, o consegue fazer.

Essa força impressionante, que não é humana, mas faz parte da natureza, chama-se furacão. É esta força, que ataca o pinheiro, que carrega sobre a sua copa, a força a tocar o chão e assim o quebra pela espinha, numa espécie de braço de ferro entre dois elementos da natureza.

Um furacão passou recentemente pela zona para onde viajo, regularmente, aos fins de semana. Numa noite, em duas arremetidas, com um intervalo de duas horas, mudou marcadamente a paisagem florestal. Uma floresta densamente verde e viva transformou-se numa paisagem desoladora, o denso passou a esparso, alguns pinheiros sobreviveram ao ataque mas, uma grande parte deles estão caídos ou então, os que quebraram, reduzidos a um mero coto, direito e aprumado, como que a dizer que as árvores também morrem de pé.

Tudo passou. A seu tempo os pinheiros caídos vão ser retirados e a mata provavelmente limpa. E a nova paisagem vai fazer parte do viver quotidiano das pessoas.