Dados técnicos:
Designer: Studio Eduardo Aires;
Data de emissão: 13.01.2026;
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A figura central desta emissão é o ferreiro, presente desde 1906 no vitral que ilumina a escadaria da Livraria. Inspirado em Hefesto - o artesão divino que forja as armas dos deuses - o ferreiro simboliza a dignidade da criação e o trabalho que dá forma à cultura. Na Livraria Lello, essa metáfora adquire uma força particular: as "armas" que esta casa produz, os livros, são instrumentos de liberdade, resistência e transformação intelectual. Ao integrar também o logótipo, o ferreiro tornou-se um dos grandes emblemas da livraria, guardando a sua história e a sua missão.
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In pagela dos CTT (Livraria Lello Porto)
Havia em Luanda, nos tempos da Angola colonial, a livraria Lello, que se situava na baixa, perto da Biker (a cervejaria famosa onde um simples “fino” dava direito a um pires com camarões), com uma frente que ocupava totalmente um lado do quarteirão. Era um gosto circular pelas diversas divisões, livros em estantes e em mesas, via-se, escolhia-se e comprava-se. Depois da independência o stock foi diminuindo, o espaço reduzindo e, há tempos, alguém me disse que a livraria já não existe e em seu lugar está agora um belo stand de automóveis. Não sei se esta Lello africana tinha alguma coisa a ver com a homónima do Porto, acredito que sim embora não tenha visto isso escrito em lado nenhum.
Era frequentador habitual da Lello de Luanda, a realidade é que nunca entrei na do Porto. Tive essa oportunidade recentemente, numa ida à Invicta, mas ao ver a fila enorme de turistas à porta e ao ser informado que teria de pagar €12 para entrar desisti imediatamente.
Pagar para entrar numa livraria foi um choque inicialmente mas acabei por compreender. Uma visita ao site esclareceu-me que foi uma decisão tomada em 2015, com o objetivo de conter a enorme afluência de turistas e custear as obras de conservação e restauro. O valor da entrada seria descontado na compra de livros. Esta decisão, que deve ter gerado muita controvérsia, acabou por ser considerada inovadora, os objetivos foram atingidos e, admirem-se os céticos como eu, as vendas de livros triplicaram logo nos primeiros três meses. Ganhou o turismo, ganharam os donos, ganhou o Porto, apenas perderam os portistas que gostavam de frequentar a livraria, onde a maioria, provavelmente, queimava muito tempo e comprava pouco.
A imagem repetida dos selos é a de um ferreiro, que aparentemente não tem nada a ver com uma livraria. Como diz a pagela, trata-se, afinal, da imagem central de um vitral da livraria, que os donos trouxeram para o logótipo da casa. O ferreiro representa aqui a criação da cultura e a dignidade do trabalho (Decus in Labore).