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VISITAR MUSEUS FAZ BEM À SAÚDE…

Antonio

Nota: texto elaborado com base na rubrica diária que o autor mantém na Rádio Amália: “Sei de um rio, sei de um Museu.”

ISTO NÃO É UM CACHIMBO!


E ISTO… SERÁ UM MUSEU?

Será que todas as instituições que se identificam como museus são, de facto, verdadeiros espaços museológicos?

O ICOM (International Council of Museums) clarifica, sobre esta temática, que um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos e ao serviço da sociedade, que pesquisa, coleciona, conserva, interpreta e expõe o património material e imaterial de forma inclusiva, ética e sustentável.

Casos como o Museu do Pão, o Museu do Arroz, o Museu do Bolo de Mel ou o Museu da Cerveja, entre muitos outros, surgem como prolongamentos de atividades comerciais.  É verdade que, muitas vezes, apresentam exposições permanentes de elevada qualidade — um esforço que deve, sem dúvida, ser valorizadoe, mas não cumprem a definição rigorosa do ICOM.

Há dias, visitei um destes “museus” cuja exposição ficava no primeiro andar. O espaço tinha sido desenhado com a colaboração de museólogos conceituados e exibia informação qualificada. Contudo, entre várias insuficiências, as salas estavam completamente vazias de funcionários; não havia ninguém para esclarecer as dúvidas dos visitantes.

À saída, já no rés do chão, reparei que a área comercial incluía uns fornos muito semelhantes aos que a minha mãe usava na sua antiga casa para produzir, precisamente, o que ali se expunha. Quando perguntei aos funcionários se aqueles fornos tinham servido (ou ainda serviam) para o fabrico dos produtos, responderam-me que, apesar de ali trabalharem há vários meses, não faziam a mínima ideia da sua utilidade.

Assim não vale! Urge que uma instituição (como a Rede Portuguesa de Museus) certifique quem manifesta interesse em usar esta designação, realizando auditorias regulares para verificar o cumprimento das diretivas internacionais. Caso não as cumpram, deveria ser-lhes vedado o uso da palavra “Museu”, passando a identificar-se apenas como “Exposição”.

A bem da verdade e do rigor cultural!