A tua beleza física não me incomoda; da mesma forma como sou indiferente à tua fealdade. O mistério não me excita, não me conquista. Não gosto de sorrisos imperfeitos, de meros esgares. Não interpreto comentários entre dentes. Não gosto da sedução fútil de quem oferece o que não tem embrulhado em glamour. Por isso, não me interessa o que tens. Aproxima-te de mim. Deixa-me ver o teu olhar. Fica em silêncio perante mim, olhos nos olhos, pelo tempo suficiente para, em silêncio, te perguntar quem és, para observar o que de mim existe em ti e, no fim, quando o corpo doer com a emoção que sentimos, abraça-me forte.
Eu nunca quis saber sobre o que tens. Só procuro nos outros a autenticidade da vida, o calor dos abraços, a verdade que as lágrimas derramam.
Gosto da realidade crua. Da vida nua. Dos sons reais que me aquecem.
Mia Jorge