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Design: Atelier Pendão & Prior / Fernando Pendão
Data de emissão: 08.10.2026.
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Em 11 de Março de 1526, celebrou-se no Real Alcázar de Sevilha o matrimónio religioso de Isabel de Portugal com o Imperador Carlos V que, efectuado sob o signo de conveniências políticas, se transformou num casamento de amor. Realizado pouco tempo depois do casamento de D. João III com Catarina de Áustria, irmã mais nova do rei/imperador, o matrimónio de Isabel e de Carlos V consolidou assim os laços dinásticos entre o Portugal de Avis e a Espanha dos Habsburgo.
Muitos casamentos reais da Idade Moderna foram selados a frio, funcionando como meras jogadas de xadrez entre reinos. Contudo, a união entre a Infanta D. Isabel de Portugal e o Imperador Carlos V desafiou a norma: embora planeada como um pacto de Estados, transformou-se numa das mais profundas histórias de amor da realeza europeia.
Desde cedo, Isabel revelou-se uma mulher determinada. Filha de D. Manuel I, adotou como mote pessoal a célebre frase latina Aut Caesar aut nihil ("Ou César ou nada"). Fiel a esta máxima, recusou várias propostas e esperou anos pelo homem com quem idealizara casar: o jovem Carlos de Habsburgo, neto dos Reis Católicos, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico e o governante mais poderoso da Europa.
Após anos de complexas negociações diplomáticas e do pagamento de um dote histórico por parte do seu irmão, D. João III, Isabel partiu finalmente, em 1526, rumo ao seu destino. O encontro com o marido deu-se em Sevilha, a 11 de março. Carlos V ficou imediatamente rendido à beleza, inteligência e graça da infanta portuguesa.
O matrimónio durou 14 anos, marcados por uma ligação profunda, mas também por longos períodos de distância. Como Carlos V viajava frequentemente para gerir o seu vasto império ou para comandar campanhas militares, cabia a Isabel governar os reinos espanhóis na sua ausência. Exerceu a regência com mestria, rigor e autoridade, mantendo sempre uma estreita cumplicidade política e afetiva com o monarca.
Apesar dos escassos reencontros, a paixão do casal era evidente: Isabel engravidava quase sempre que se encontravam. É aí que a história assume contornos trágicos. Sendo uma mulher de constituição franzina, o seu corpo não resistiu ao desgaste físico de gravidezes sucessivas e complexas. Dos sete partos, apenas três crianças vingaram; duas morreram antes de completar um ano e outras duas nasceram sem vida. Em 1539, as complicações do seu último parto ditaram o seu fim.
Inconsolável, Carlos V não conseguiu acompanhar o cortejo fúnebre da esposa. Recolheu-se num mosteiro durante um mês, não voltou a casar e vestiu-se de preto até ao fim dos seus dias.
Para assinalar o quinto centenário deste célebre enlace, Portugal e Espanha promoveram diversas conferências e reconstituições históricas. O destaque principal pertenceu a Sevilha, onde se recriou a entrada triunfal da Infanta D. Isabel pela histórica Puerta de la Macarena. O evento culminou num desfile pelas ruas da cidade até aos Reais Alcázares, envolvendo mais de 120 atores, músicos e bailarinos rigorosamente trajados à época.