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DIREITOS HUMANOS

Ana Suspiro

POSTAL DE NATAL: DE COLMAR A LISBOA

Entre selos, memórias e a promessa da primavera



Postal de Natal
Foto da esquerda (2011): Lucien Fohrer dá de comer a uma cegonha, símbolo de Colmar. Foto da direita: a casa e atelier do mestre artesão, onde os nossos caminhos se cruzaram.

Na edição de novembro da CARDUS, escrevi sobre Lucien Fohrer — o “Construtor de Solidariedade”, artesão de casinhas alsacianas, voluntário da associação La Manne, homem de mãos que erguem beleza e coração que semeia bondade. Abriu-me as portas do seu atelier, no coração de Colmar, joia rara da Alsácia francesa, onde as ruas parecem bordadas de história.

Num tempo em que os postais de Natal se tornaram quase lenda, chegou-me o mais belo presente. Foi na noite de Consoada, ao regressar a casa, que decidi abrir os envelopes esquecidos no aparador. Entre faturas e papéis sem alma, um envelope diferente, adornado com selos de Colmar — cidade que me acolheu nas férias de outubro, como quem oferece um abraço.

Dentro, um gesto que aqueceu a noite: duas fotografias escolhidas com ternura. No verso, as palavras que dançam até hoje na minha memória:

"Minha querida Ana, estas duas fotos: na primeira, na Catedral Saint-Martin de Colmar, estou a dar de comer às cegonhas; na outra, a minha casa, que conhece tão bem. O seu artigo na CARDUS encantou-me. Encaminhei-o para a ‘MANNE’ para que o utilizassem. As linhas que escreveu com tanto amor, pude até lê-las em francês. Muito obrigada novamente. Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo de 2026. Abraços, Lucien.”

A cegonha branca — símbolo da Alsácia — pousa como promessa: sorte, renovação, primavera. Que venha a sorte. Que venha a renovação. Que venha a primavera. Que venham os dias em que gestos simples iluminam a vida.

Obrigada, Lucien.

Bom Ano Novo!

Ana B. Suspiro